domingo, 21 de fevereiro de 2010

A SERIOUS MAN - UM HOMEM SÉRIO(2009)
direção e roteiro:Joel e Ethan Coen
elenco:Michael Stuhlbarg,Richard Kind,Fred Melamed

Até quando um homem pode suportar os infortúnios da vida de maneira centrada e correta? A partir de que ponto ele deixará de ser "Um Homem Sério"? Estas já são perguntas frequentes na filmografia dos irmãos Coen,não apenas no seu novo trabalho,cujo irônico título parece sintetizar tudo o que eles fizeram antes.Forçando ao máximo a paciência de seu protagonista,pregando peças no espectador a todo momento,ironizando a ilusão da família feliz,"Um Homem Sério" é a mais pura essência de Joel e Ethan Coen.

Desde as primeiras civilizações,dentro de uma família,a figura mais importante é o patriarca.Soberano nas decisões da casa,o pai comanda os rumos de seus consanguíneos.Larry Gopnik é um professor de física,casado e pai de dois filhos,vivendo na classe média dos anos 70.Contrariando o que se espera de sua posição,Gopnik vive como um mero coadjuvante na vida de sua família.Sua mulher o despacha de casa para casar com um viúvo sessentão que insiste num "divórcio ritualístico".E os infortúnios da vida parecem não ter mais fim.E quando nosso herói parece estar a beira da explosão,ele prefere buscar ajuda na religião que fundamenta sua família,o judaísmo.Ele está aprisionado pela sua passibilidade,é apenas um homem dócil totalmente incapaz de agir.E assim,indo ao encontro de rabinos e advogados,Gopnik se prepara para um futuro obscuro e incerto.

Larry é o retrato do que seria um homem perfeito para a sociedade.Incapaz de reagir a qualquer situação,conformando-se em ter um emprego estável e uma família "feliz",mesmo que todos vivam em total desarmonia e discórdia entre si.É o tipo de personagem preferido dos irmãos Coen,que fazem de "Um Homem Sério" seu filme mais autoral.Joel e Ethan cresceram nos anos 70,num subúrbio em Minneapolis,filhos de mãe e pai judeus.Desfrutando de certa liberdade criativa,os diretores ironizam os valores religiosos os quais foram submetidos na adolescência,fundindo o dogmatismo com toda a imoralidade e liberdade dos 70.E é aí que nasce uma das melhores cenas do filme,quando o filho de Gopnik atravessa o dia de seu "bar mitzvah" sob o efeito de alguns cigarrinhos de maconha,divididos secretamente com seu amigo de escola.

Uma das críticas mais frequentes vinda do público sobre os filmes dos Coen,é a resistências dos dois em aceitar apenas um gênero.Uma comédia dos irmãos,nunca é um filme para você cair da cadeira,pois além da fuga do humor fácil e burro,o drama e a reflexão são sempre acionados,por mais cômicas que as tramas pareçam ser."Um Homem Sério'' não quer mesmo ser levado sério a todo momento. Um exemplo é a incompreensível abertura do filme.Mudando o formado da tela, é contada uma bizarra história de terror,sobre um falecido que visita uma família judia na era medieval.Logo após a parábola,os créditos e a música sugerem que veremos pela frente um filme de suspense sobre fantasmas judeus e antigas maldições,mas logo entra em cena o filme descrito na sinopse.

Tecnicamente irrepreensível,"Um Homem Sério" conta com excelentes atuações.A começar pelo protagonista,Michael Stulhbarg que representa a fragilidade e passividade em pessoa.Por motivos não conhecidos,Stulhbarg não foi indicado ao Oscar deste ano.A fotografia elegante é feita pelo veterano Roger Deakins,antigo colaborador dos Coen,e já indicado a 8 Oscar pelo seus brilhantes trabalhos.A trilha sonora é composta por um fina seleção de hits dos anos 70,que inclui a fantástica e esquecida banda Jefferson Airplane.

Para a surpresa de muitos,"Um Homem Sério" figura entre os dez indicados a melhor filme no Oscar 2010.Muitos podem considerar que só o nome dos irmãos na direção pôs "Um Homem Sério" na lista de indicados.Ledo engano.O filme é a reunião dos elementos essenciais do cinema dos diretores:humor negro,final aberto,personagens peculiares... Um híbrido entre o drama sólido de "Fargo" e a comédia obscura de "Queime Depois de Ler".Por tudo isso e mais um pouco,é uma grande felicidade ver "Um Homem Sério" na lista de indicados,mesmo que as chances de ver o filme levar o prêmio sejam zero.

Para muitos,pode até parecer exagero,mas acredito que "Um Homem Sério" tem todo o direito de figurar entre as cinco melhores realizações de Joel e Ethan Coen.Autoral,ousado,criativo,engraçado,comovente e acima de tudo,sincero.Uma obra candidata a cravar sua bandeira no restrito território de filmes cults,que chamam a atenção não por outra coisa a não ser por serem únicos.Aceite o mistério.

nota:9,0

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

INVICTUS(2009)
diretor:Clint Eastwood
roteiro:Anthony Peckham
elenco:Morgam Freeman,Matt Damon


Mais uma vez,Clint Eastwood! Com seus já avançados setenta anos de idade continua sendo um dos diretores mais 'trabalhadores' do cinema atual.Agora,será que os filmes que o velhinho lança quase que anualmente são realmente bons? Com "Gran Torino", Eastwood relembrou seus diais de Dirty Harry num marcante drama sobre racismo,em seu lançamento mais recente,ele investe mais uma vez no tema,agora em proporções globais."Invictus" conta a chegada de Nelson Mandela no poder da África do Sul,o fim do apartheid e o renascimento de um time de rugbi.

É difícil fazer um filme sobre Nelson Mandela e fugir de alguns clichês pentelhos,como discursos sobre paz e igualdade,personagens caricatos e toda a pompa dos filmes do tema.A versão diretor de Eastwood,aquela que passa milhas distante da sua versão ator,gosta de cinema sério,visando temas sociais bastante discutidos em congressos pela paz mundial.Invictus não foge de nada disso,mas as diversas qualidade técnicas e a competência de Eastwood acabam por contornar o cansaço da fórmula.

"Invictus" foca o período inicial da presidência do carismático líder negro,quando o país passava por tempos difíceis(passa até hoje) e toda população esperava de medidas imediatas para o combate aos emergentes problemas sociais do país.Mesmo arriscando sua popularidade,o presidente optou por incentivar e investir o principal time de rugbi da África do Sul,o Springboks,que em breve disputaria a copa do mundo.Além de ser um esporte jogado quase que unicamente por brancos,o time era um símbolo da dominação Afrikanner,tendo sua extinção defendida por muitos negros.Mandela tinha visão diferente.Ele acreditava que o rúgbi pudesse resgatar o sentimento patriótico nacional,além de promover a união dos dois lados étnicos do país.

Mesmo não conseguindo fugir do comum,o foco escolhido pela história já vale alguns pontos.Com um roteiro impecával,a narrativa possui ritmo fluído e a atenção do público é mantida até o fim. No quesito veracidade histórica,o filme está livre de absurdos ou furos nos momentos decisivos.Mostrando que o fato como realmente aconteceu está ali,e as filmagens originais da época não deixam mentir.Ou seja,"Invictus" serve para a sala de aula também.

Quem fica com o diícil posto do presidente sul-africano não poderia ser outro pessoa além de Morgan Freeman.E ele não decepciona,mas também não impressiona,o inglês tipicamente africano ele faz muito bem.Como capitão do time de rúgbi,Matt Damon faz um excelente trabalho,mostrando que vem melhorando a cada filme que faz.A fotografia de Tom Stern e a trilha sonora Kyle Eastwood são os elementos que consolidam Invictus como uma bem feita realização cinematográfica.

Apesar de ser o típico filme de Oscar,"Invictus" não conseguiu mais que duas indicações, uma para Morgan Freeman(chances razoáveis) e outra para Matt Damon(nenhuma chance) .Calcado de inteligência e certo conservadorismo,Invictus é um filme que tem a cara do diretor Clint Eastwood.Possui história e cinema bem delineados e surge como algo a mais,mas nada de novo.

nota:7,7

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

THE FANTASTIC MR.FOX
O FANTÁSTICO SR. RAPOSO(2009)
diretor:Wes Anderson
roteiro:Wes Anderson Noah Baumbach
elenco:George Clooney,Merl Streep,Bill Murray

Como convencer o público adulto a assistir uma animação também destinada a ele? Parece uma tarefa difícil,mas talvez o jeito mais fácil seja deixar o filme convencê-lo.É justamente isso que acontece com qualquer um que se depara com "O Fantástico Sr. Raposo",a animação convence,encanta e surpreende.O título e a temática parecem dignos de uma aventura destinada a crianças,com personagens e situações infantis,mas basta acompanharmos um tempo na vida do Raposo macho que tem como função sustentar a esposa e o filho e dar-lhes uma vida decente,para logo enxergarmos os traços humanos naquele animal silvestre vestido com terno e gravata.

Triste com a situação precária da família,Sr.Raposo decide mudar de vida comprando uma casa nova em uma grande e bonita árvore.Mesmo tendo um emprego fixo num jornal,ele é mal-remunerado,e Raposo se vê obrigado a retornar as suas raízes,saqueando as fazendas de três malvados fazendeiros da região.Ao tomarem conta do prejuízo,os humanos avançam contra os seres que vivem debaixo da terra com explosivos e escavadeiras,pondo em risco a vida de Sr.Raposo e sua família.

Qual outro cineasta faria isso se não Wes Anderson? A animação é seu sétimo filme e o primeiro nesse formato,e ainda assim,Mr.Fox não foge muito do estilo Anderson de filmar e ser.A primeira vista,suas obra não parecem nada além de 'estranhas'.E realmente são,por que é na capacidade de confundir e estranhar que Anderson busca a compreensão para os mais diversos conflitos humanos.Seus filmes são geralmente rotulados como comédias,devido a um humor bem peculiar que Anderson geralmente imprime nos seus dramas.Mr. Fox talvez seja o filme mais 'fácil' de ser dirigido de toda sua filmografia,as piadas são mais convencionais e o intuito de fazer uma animaçaõ 'para família toda' é claramente percebido

Esteticamente,Mr.Fox também possui a marca de Anderson.Os quadros estáticos e minimalistas marcam presença mais uma vez,embora agora sejam em formato stop-motion.Que é feito de forma artesanal e manual,uma dádiva em tempos onde os desenhos são todos computadorizados.Também chama atenção a fluidez dos movimentos,que normalmente ficam um pouco travados com uso dessa técnica.

Para dublar os bonecos,Anderson optou por rostos conhecidos mesclados com velhos colaboradores seus.George Clooney e Merl Streep são o casal de raposas.O grande Bill Murray aparece pela quinta vez em um filme do diretor,desta vez no papel de um hilário texugo.Jason Schwrtzman,Michael Gambon e Willian Dafoe completam o elenco.O filme conta também com uma inventiva trilha sonora de Alexandre Desplat,e a participação especial do vocalista da banda Pulp cantando uma divertida música non-sense.

Após conquistar uma legião de fãs de cinema independente,Wes Anderson busca o reconhecimento do grande público com Mr.Fox.E sendo ou não um sucesso,ele brinda o espectador com uma refinada animação,que reafirma seu estilo e reinventa o cinema stop-motion.A tragédia humana é representada pelas raposas de uma forma mais verossímil e interessante do que muitos dramalhões com atores reais.Um novo candidato a clássico cult.

nota:8,7

domingo, 31 de janeiro de 2010

SEDE DE SANGUE - BAKJWI(2009)
diretor:Chan-Wook Park
roteiro:Chan-Wook Park,Seo-Gyeong Jeong
elenco:Kang-Ho Song,Ok-Bin Kim


Sempre gostei de diretores que criam uma identidade dentro de seus filmes.Diretores que conseguem reinventar e ainda possuir uma marca forte.O coreano Chan-Wook Park criou a sua logo no seu primeiro filme,e continuou chamando os holofotes até 2003,quando lançou o aclamado,amado,odiado e detestado Oldboy.E estes mesmo adjetivos servem para ilustrar a reação do público com o resto de sua filmografia.Mas Park não pretende apenas ser controverso,sua visão lúdica e violenta do cinema é uma luz de originalidade e reinvenção no aparente marasmo do cinema mundial.Sede de Sangue,não poderia deixar de representar tudo isso.

A trama reinventa a fórmula clássica do vampirismo,de uma maneira irônica,surreal,erótica e mórbida.Tudo começa com um padre bom-samaritano que trabalha num asilo,onde convive diariamente com a morte e a dor.Cansado de sua rotina,o padre se torna cobaia de um experimento em busca da cura para um virús letal que assola uma longínqua comunidade.Nenhum dos 50 voluntários do estudo sobreviveu,e o mesmo parecia acontecer com o protagonista.Quando já é dado morto pelos médicos,ele misteriosamente ressuscita e começa a ser recebido como um santo por onde passa.Como tempo,o padre percebe que apesar de são,há algo diferente em si mesmo que o mantém vivo.O sangue.

Após o experimento,o protagonista é perseguido por uma desesperada mãe em busca da cura para a doença do filho.Convencido a acompanhar o doente,o padre acaba conhecendo uma frágil moça que todos dizem ser a esposa do enfermo,mas que na verdade é tratada por todos como uma escrava.Ignorando todos os preceitos de sua formação católica,o padre é envolvido pela misteriosa mulher.Queira me desculpar,mas é inevitável a comparação com Crepúsculo,insuportável febre adolescente da atualidade.Enquanto o casal dos livros de Stephanie Meyer contempla a castidade,o recato, e a pureza dos valores juvenis,os vampiros de Park invocam a sexualidade de maneira quase compulsiva.Os desejos mais lascivos do casal são despertados e postos para fora de maneira animalesca,assim como a sede de sangue.

A trama já é bastante atípica para considerarmos Sede de Sangue um filme diferenciado.Mas ainda não é o bastante para um diretor que adora ir pela contramão.As escolhas de Park nunca são as comuns,seja nos rumos do roteiro ou até no jeito de filmar.Ele raramente opta por enquadramentos simples e frontais,preferindo fazer a câmera 'viajar' pelo cenário,sempre ricamente composto.

Mesmo não sendo o seu melhor filme,Park consegue fazer algo totalmente diferente de trabalhos anteriores,mas sem perder suas características essenciais.E ainda com sua narrativa irregular,Sede de Sangue é um filme que seduz pela sua estética e trama inusitadas.Sangue novo e fresco para o cinema.

nota:8,5
PRECIOUS(2009)
diretor:Lee Daniels
roteiro:Geoffrey Fletcher
elenco:Gabourey Sidibi


Sensacionalista,maniqueísta e insuportável.Esses são um dos poucos adjetivos que cabem há uma certa senhora afro-americana que domina os televisores norte-americanos.E parece que agora,Oprah Winfrey chegou aos cinemas.Imagine aquele talk-show feito para donas-de-casa,insuportavelmente sensacionalista,mostrando no palco uma adolescente de 16 anos,obesa,analfabeta,grávida,pobre e aidética.Agora converta esse programa para um filme,e pronto,temos "Precious".

Tudo o que vemos na tela é uma excreto de imagens desfocadas mostrando a tragédia,somente ela e mais nada.Provoca repulsa a forma como a história desdobra um amontoado de infortúnios na vida de um bando de meras caricaturas de suburbanos nova-iorquinos,proferindo intermináveis diálogos no idioma "motherfucker".

Não digo que a trama é impossível,longe disso,a forma como o filme estabelece a fragilidade dos sistemas assistencialistas é perfeitamente crível.Só que isso é posto estrategicamente no filme como uma forma de acrescentar mais tragédia,mais sentimentalismo gratuito,mais uma forma de sugar as lágrimas daquela dona-de-casa que está na primeira fila do cinema por recomendação do último programa da Oprah.

Tecnicamente,Precious também surpreende.Lee Daniels,o diretor debutante,não faz mais nada além de lembrar o pior de Spike Lee.Não basta uma fotografia chique,ora desfocada ora escura,se o trabalho falha em (quase) todos os outros aspectos.Ainda há as atuações,que são competentes,mas que acabam sendo comprometidas pelo próprio texto.

Se este filme estivesse lá na fundo da prateleira da locadora,esquecido e coberto de poeira,eu até entenderia.Mas Precious tem sido um dos grandes destaques nos noticiários cinematográficos. Acumula 44 prêmios em festivais mundo afora,incluindo Globo de Ouro,Sundance e SAG´s.Além de 6 indicações ao Oscar desse ano,contando com melhor filme.Enfim,Precious vem sendo reconhecido como um exemplo de superação e luta,mas será que é um exemplo de bom cinema?

Antes de assistir,eu já estava com um pé atrás.Isso é um grande erro que cometemos,assistir o filme com preconceitos,devido ao cartaz,sinopse,alguma crítica negativa,ou até o trailer.Porem não vejo como eu poderia odiar um pouquinho menos Precious.Lenny Cravitz está nele!Ele tem umas músicas legais! Enfim,nada pode salvar um filme que está fadado a ser o que é desde sua idéia original.Nada salva um filme que nunca deveria ter existido.

nota:1,0

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pequenas Críticas,Grandes Filmes(ou não) Parte 2

Katyn(2007)
dirigido por Andrej Wajda
escrito por Przemyslaw Nowakowski
estrelado por Artur Zmijewski

Pouco conheço do cinema polonês,e agora tenho meu primeiro contato com Andrej Wajda.Um senhor de 83 anos com uma extensa e premiada carreira,embora não seja tão celebrado quanto o seu conterrâneo responsável pela trilogia das cores,Kieslowski.Em Katyn,lançado agora em DvD no Brasil,o diretor mostra a eficiência e a mão firme desenvolvida em cinquenta anos de carreira.
Embora a trama seja ambientada na Segunda Guerra,o grande foco do filme é uma parte obscura e voluntariamente esquecida da história mundial:O massacre de estimadamente 20 mil oficiais poloneses na floresta de Katyn.O feito foi atribuído por muitos anos aos nazistas,e apenas com a queda de Stalin é que se comprovou que o assassinato foi ordenado pelos líderes da União Soviéica,que conseguiram obscurecer o fato através da manipulação da mídia.Não há quem não fique assustado com a selvageria e dissimulação dos líderes comunistas,e Wajda não perdoa ninguém,nem mesmo o espectador.
A trama é fora dos padrões,traçando um retrato de diversos familiares de vítimas do massacre,acompanhando a angústia de jovens viúvas e órfãs,a apreensão dos oficiais polacos antes do massacre,e o trabalho de manipulação do governo Soviético.
Tecnicamente impecável,Katyn apresenta uma reconstituição extremamente realista.Wajda não adapta o tragédia para torna-lá digerível ao público,e devido a isso,Katyn é um filme frio,de raso apelo emocional.O espectador não deve esperar um drama novelesco cheio de romance e reviravoltas inesperadas,o filme de Wajda é a realidade somente.
nota:8,0

Jornada Nas Estrelas V - A Última Fronteira(1989)
escrito e dirigido por Willian Shatner
estrelado por Willian Shatner,Leonard Nemoy

Star Trek em seu formato original,é uma série de televisão,mas não quer dizer que ela não funcione em outras mídias,afinal,Gene Roddenberry sempre pensou em criar um universo,não um mero "tv show" de boa audiência.A Última Fronteira,é a quinta jornada estrelar nos cinema,e até então sua mais desprezada e mal-sucedida.O quarto filme,que ficou sob o comando de Leo Nemoy(o Spock),fez um grande sucesso entre fãs e rendeu alto nas bilheterias.Os produtores decidiram deixar o quinto ao encargo do comandante Kirk,Willian Shatner,assim como seguiram suas mirabolantes idéias originais.
A Última Fronteira foi um filme problemático em sua concepção.O orçamento não cobria a grandiosidade das idéias de Shatner,os efeitos especiais falhavam constantemente e várias idéias originais tiveram de ser abandonadas no meio do caminho.Enfim,tudo conspirou contra o que seria o maior de todos os episódios cinematográficos da franquia.Porque se fizermos uma análise,as idéias do excêntrico Willian Shatner são excelentes,e com uma direção segura e alguns dólares a mais poderia se tornar mais uma obra-prima do universo Trekker.
A trama é interessante,e mostra o que seria a "essência sagrada" da série.Após um longo tempo de aposentadoria,a tripulação se reúne novamente numa forçada missão para chegar ao centro do universo,onde acredita-se estar Deus.
O clímax do filme é um tanto bizarro,a falta de uma produção melhor elaborada e um maior orçamento é visível.
Enfim,dá uma tristeza pensar no que poderia ser,vendo o que é.
nota:7,0

Atividade Paranormal(2007)
escrito e dirigido por Oran Peli
estrelado por Katie Featherson e Micah Sloat

Tenho uma natural aversão a filmes artificialmente caseiros,simplesmente por não serem filmes de verdade.Mas,desde que haja originalidade e entretenimento juntos,o resultado pode até ser agradável,como o espanhol [REC].Em Atividade Paranormal,não há um mínimo rastro de inovação,mas com competência e muita sorte,Oran Peli conseguiu divulgar seu filmeco e distribuí-lo pelo mundo.
As vezes é difícil imaginar que uma idéia na sua centésima reciclagem,ainda cause tanto medo e e faça sucesso entre o grande público.Um casal acredita que esta sendo amaldiçoado por espíritos,e então resolve filmar seu sono nada tranquilo.Aí começa o esperado.Uma porta se abre sozinha,uma voz infantil chama o casal pelo nome,ele contratam um "demonologista"(?) e no fim... e no fim...
Não há absolutamente nada para comentar sobre nenhum aspecto do filme.Apenas os últimos divertidos cinco minutos,que fecham o filme com um certo impacto.Até lá,tudo o que Oran Peli faz é encher linguiça.Uma enrolação extremamente chata,mostrando o dia-a-dia do casal finado(ops,falei).
Atividade Paranormal custou 15 mil dólares e rendeu 104 milhões só no U.S.A. É ,acho que ta na hora de levantar meu bundão da cadeira,arrumar uma câmera e fazer um filme de terror.
nota:4,0

Ta Rindo de Quê?(2009)
escrito e dirigido por Judd Apatow
estrelado por Adam Sandler e Seth Rogen
Judd Apatow praticamente domina a indústria da boa comédia,claro que devemos excluir todos os filmes dos irmãos Wayans e aquelas paródias podreiras que ainda chamam muita gente para os cinemas.Apatow não só se tornou um diretor reconhecido,como também pode ser visto como um "caça-talentos",ou seja,ele é um grande produtor do ramo.É ele o cara por trás de pérolas como Superbad,O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos.Em Funny People,chamado aqui no Brasil de "Ta Rindo do Quê?",Apatow mais uma vez chama seus atores favoritos(Seth Rogen,Leslie Mann,Jonah Hill,entre outros),mais o sumido Adam Sandler e faz um filme mais sério,sem deixar de ser uma comédia,mas com um toque dramático e autoral.
Os primeiros 90 minutos são excelentes,ou seja,é o mesmo Apatow de antes.A dramaticidade é bem dosada,assim como as esdrúxulas e deliciosas piadas com "dick's","pussy's" e "motherfucker´s".Adam Sandler entra em cena ótimo,mostrando aquele ator de dramas que não víamos desde "Punch-Drunk Love".Seth Rogen contracena mais uma vez com a sua versão gorda,Jonah Hill,além de outras inusitadas participações especiais.
A trama conta os últimos dias de um famoso comediante decadente,George Simmons,após ele ser diagnosticado com leucemia.Para continuar sua carreira fazendo comédia stand-up,Simmons conta com a ajuda de um comediante pobre,que vive numa comunidades de pessoas do mesmo ramo.Se o filme acabasse no fim desses 90 minutos,com certeza teríamos mais uma clássico de Apatow.
Mas,infelizmente,o diretor ainda nos reserva mais sofríveis 30 minutos,em que ele transforma o drama cômico do começo num romance água com açúcar.As piadas acabam,o ritmo cai e os bocejos começam.Enfim,Apatow mostra que poderia muito bem chamar Kevin Smith ou qualquer outro diretor de comédias mais experiente que o resultado seria muito melhor.
Mais uma vez,dá uma tristeza pensar no que poderia ser vendo o que é.
nota:6,0

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pequenas resenhas,Grandes filmes(ou não)

Muita disposição para ver,pouca para escrever

Duplicidade(2009)
escrito e dirigido por Tony Gilroy
estrelado por Julia Roberts e Clive Owen
Como diz a capa do DvD: "Ainda há inteligência respirando em Hollywood".E realmente,é raro ver um filme como esse,ou melhor,é raro ver um realizador como Tony Gilroy.Responsável por alguns dos mais engenhosos e criativos roteiros da atualidade,Gilroy também mostra eficiência na direção,e ainda conta com a ajuda do irmão,John Gilroy e seu excelente trabalho de edição.
Casais apaixonados e de mal-caráter já não são nenhuma novidade,mas Duplicidade recicla esse clichê contando com uma dupla de atores carismáticos e uma vigorosa trama sobre espionagem coorporativa.Clive Owen e Julia Roberts são dois espiões contratados por duas companhias de cosméticos arqui-rivais,e quando seus caminhos se cruzam,os dois resolvem conspirar contra seus chefes para juntos roubarem uma nova fórmula que irá revolucionar o ramo dos cosméticos.A narrativa repleta de reviravoltas,não é contada em tempo linear,e por isso acaba se tornando confusa em alguns momentos.
Mas mesmo aquele espectador que não acompanhar o emaranhado de conflitos e conspirações,ainda pode encontrar em Duplicidade uma boa diversão.Diferente dos seus trabalhos anteriores,o novo filme de Gilroy é leve e ironiza si próprio a todo momento.
nota:8,2

O Visitante(2007)
escrito e dirigido por Thomas McCarthy
estrelado por Richard Jenkins
Na resenha acima,Duplicidade,um dos coadjuvantes que interpreta o colega de trabalho de Julia Roberts é Thomas McCarthy,assíduo ator coadjuvante e diretor nas horas vagas.O Visitante é o seu trabalho de maior repercussão,que contou com uma merecida indicação ao Oscar de melhor ator para Richard Jenkins.
A trama é simples,original e interessante.Walter é um bem sucedido professor universitário.Viúvo e solitário,ele viaja para uma conferência em Nova York,onde possui um apartamento que não visita há anos.Lá,ele é surpreendido por um casal de imigrantes sírios vivendo em sua propriedade.Inerte a qualquer tipo de reação,Walter não se intimida e permite a permanência dos intrusos.Com o tempo ele envolve-se com a cultura estrangeira,sentindo a vontade de viver que ele antes havia perdido.Quando o jovem músico sírio é flagrado pela polícia como imigrante ilegal,Walter esquece de seus problemas para ajudar o casal.
Tratando de temas atuais e importantes,O Visitante possuí a idéia,mas lhe falta a motivação.O decorrer do filme é arrastado,e faltam a emoção e a sensibilidade que o roteiro pede.Compensa o bom desempenho de Richard Jenkins,no qual o filme se apóia toda hora.
nota:6,0

No Sufoco(2008)
escrito e dirigido por Clark Gregg
estrelado por Sam Rockwell
Livros geniais nem sempre rendem filmes geniais.Não basta ser fiel,pelo contrário,a fidelidade é a responsável pelo insucesso de tantas adaptações equivocadas,que acham que se o filme surgir de uma boa fonte,o sucesso está garantido.E é exatamente aí que entra No Sufoco.
Chuck Palahniuk é um dos mais celebrados autores ingleses contemporâneos.Suas idéias estão sempre focadas na excentricidade,na beleza do incomum,personagens em círculos ajuda,metidos em experiências de auto descoberta.Dessa fonte nasceu um clássico,Clube de Luta.Mas para transformar a água da fonte num clássico,foi necessário a regência de um diretor como David Fincher(Seven,Zodíaco).Choke,o livro,possui todos os elementos da obra que inspirou Clube de Luta,só que nas mãos do estreante Clak Gregg,a adaptação perece ter sido feito as pressas.
Sam Rockwell,interpreta um viciado em sexo,que além do vício,luta contra o Alzihmer de sua mãe embora deseje que ela morra logo.Dentro disso,imagine todo tipo de personagem e situação bizarra que até podem gerar risadas,mas ainda estão longe de compor o instigante retrato existencial do livro.
Sam Rockwell,o protagonista,e Angelica Houston,a mãe,estão ótimos.Infelizmente,o mesmo não pode ser dito do resto do elenco.
Resumindo:Desligue a televisão e vá ler o livro .
nota:5,0