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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

THE FANTASTIC MR.FOX
O FANTÁSTICO SR. RAPOSO(2009)
diretor:Wes Anderson
roteiro:Wes Anderson Noah Baumbach
elenco:George Clooney,Merl Streep,Bill Murray

Como convencer o público adulto a assistir uma animação também destinada a ele? Parece uma tarefa difícil,mas talvez o jeito mais fácil seja deixar o filme convencê-lo.É justamente isso que acontece com qualquer um que se depara com "O Fantástico Sr. Raposo",a animação convence,encanta e surpreende.O título e a temática parecem dignos de uma aventura destinada a crianças,com personagens e situações infantis,mas basta acompanharmos um tempo na vida do Raposo macho que tem como função sustentar a esposa e o filho e dar-lhes uma vida decente,para logo enxergarmos os traços humanos naquele animal silvestre vestido com terno e gravata.

Triste com a situação precária da família,Sr.Raposo decide mudar de vida comprando uma casa nova em uma grande e bonita árvore.Mesmo tendo um emprego fixo num jornal,ele é mal-remunerado,e Raposo se vê obrigado a retornar as suas raízes,saqueando as fazendas de três malvados fazendeiros da região.Ao tomarem conta do prejuízo,os humanos avançam contra os seres que vivem debaixo da terra com explosivos e escavadeiras,pondo em risco a vida de Sr.Raposo e sua família.

Qual outro cineasta faria isso se não Wes Anderson? A animação é seu sétimo filme e o primeiro nesse formato,e ainda assim,Mr.Fox não foge muito do estilo Anderson de filmar e ser.A primeira vista,suas obra não parecem nada além de 'estranhas'.E realmente são,por que é na capacidade de confundir e estranhar que Anderson busca a compreensão para os mais diversos conflitos humanos.Seus filmes são geralmente rotulados como comédias,devido a um humor bem peculiar que Anderson geralmente imprime nos seus dramas.Mr. Fox talvez seja o filme mais 'fácil' de ser dirigido de toda sua filmografia,as piadas são mais convencionais e o intuito de fazer uma animaçaõ 'para família toda' é claramente percebido

Esteticamente,Mr.Fox também possui a marca de Anderson.Os quadros estáticos e minimalistas marcam presença mais uma vez,embora agora sejam em formato stop-motion.Que é feito de forma artesanal e manual,uma dádiva em tempos onde os desenhos são todos computadorizados.Também chama atenção a fluidez dos movimentos,que normalmente ficam um pouco travados com uso dessa técnica.

Para dublar os bonecos,Anderson optou por rostos conhecidos mesclados com velhos colaboradores seus.George Clooney e Merl Streep são o casal de raposas.O grande Bill Murray aparece pela quinta vez em um filme do diretor,desta vez no papel de um hilário texugo.Jason Schwrtzman,Michael Gambon e Willian Dafoe completam o elenco.O filme conta também com uma inventiva trilha sonora de Alexandre Desplat,e a participação especial do vocalista da banda Pulp cantando uma divertida música non-sense.

Após conquistar uma legião de fãs de cinema independente,Wes Anderson busca o reconhecimento do grande público com Mr.Fox.E sendo ou não um sucesso,ele brinda o espectador com uma refinada animação,que reafirma seu estilo e reinventa o cinema stop-motion.A tragédia humana é representada pelas raposas de uma forma mais verossímil e interessante do que muitos dramalhões com atores reais.Um novo candidato a clássico cult.

nota:8,7

sábado, 29 de agosto de 2009

VALS IM BASHIR - VALSA COM BASHIR(2008)
diretor:Ari Folman
roteiro:Ari Folman

Há dois anos atrás,DePalma teve seu "momento amador" lançando o documentário falso "Redacted".Segundo ele,nem tudo que ocorre numa guerra é divulgado a população,tudo para não deixar o patriotismo morrer e criar uma falsa sensação de orgulho no povo.Se com esse propósito DePalma conseguiu fazer o pior filme de sua carreira(olha que é difícil),o cineasta israelense Ari Folman constrói uma obra instigante e visualmente incrível,que consegue ser muito mais do que "uma animação bem feita".Embora o bordão já seja batido,"Valsa com Bashir" é um soco na boca do estômago de quem o assiste,90 tensos e maravilhosos minutos que marcaram para sempre o cinema do Oriente Médio.

Junho de 1982.Após o assassinado de Bashir Gemayel,presidente recém eleito,é iniciada a 1ª Guerra do Líbano.Cerca de 3.000 palestinos são mortos no massacre de Sabra e Shatila,na periferia de Beirute.A área do massacre era controlada pelo exército israelense,e dentre os soltados estava Ari Folman.Com 19 anos de idade,Folman não sabia porque estava lá,e até hoje não sabe.E vinte anos após o massacre,ele se da conta de que não se recorda de nada ocorrido na época que esteve na milícia.As imagens de carnificina e desespero que testemunhou quando jovem sumiram de sua ocupada cabeça,que hoje dedica-se ao cinema.Em busca das imagens perdidas de sua memória,Folman procura ajuda de outros ex-combatentes da Guerra do Líbano.Essa pode ser tanto o motivo da produção,como também pode ser a sinopse.

Pense no último documentário animado que você viu.Pensou em algum?Não?Claro,porque "Valsa com Bashir" é único documentário animado já feito.Folman utiliza a animação para representar as atrocidades que presenciou sem criar algo gratuito,dispondo dos ilimitados recursos visuais que a animação permite.Sua equipe cria sequências únicas,que nenhuma imagem filmada poderia recriar.Méritos especiais para David Polonsky,que desenhou a maioria das cenas do filme sem a utilizar a rotoscopia(animação em cima de movimentos).

O que impressiona em "Valsa com Bashir" é a sinceridade de Ari Folman.Ele é um dos poucos diretores que dirigiram filmes baseados em experiência próprias.É admirável sua coragem de colocar o dedo na ferida,relatando o período mais sombrio de sua vida e da história do Líbano,e construindo uma obra pró-paz realmente tocante.

Enquanto a Pixar dispõe de quarenta profissionais para cuidar da iluminação de suas produções,Folman e sua equipe eram em torno de oito pessoas,responsáveis por cada frame do filme.Nada contra a empresa de Wall-e,mas a eficiência dos animadores de "Valsa com Bashir" é impressionante.Aliás,toda a parte técnica do filme é incrível.Aliadas ao bom repertório musical as sequências animadas são hipnóticas.Existem limitações,mas elas são poucas.Nos extras do DvD Folman explica o porque em alguns momentos os personagens andam tão devagar:"Se os personagens andam devagar é porque o orçamento do filme era baixo".Se é assim...

O diretor ainda põe em risco sua obra nos minutos finais.Quando faltam apenas dois minutos para acabar,e o espectador ainda se deleita com os desenhos,a animação é substituída por imagens reais do massacre de Sabra e Shatila SPOILER Um vídeo filmado por um cinegrafista de televisão na época do massacre.São mostradas algumas mulheres palestinas em prantos e depois é focado os cadáveres em meio aos escombros.E para finalizar,o último frame mostra o corpo sem vida de uma criança FIM DE SPOILER.Por mais que o espectador passe um bom tempo após o filme o xingando,Folman ainda está em crédito.O que era uma animação bem feita com músicas bacanas se torna um filme forte sobre a Guerra do Líbano.O público leva um banho de realidade,e sai impressionado com o Massarce de Sabra e Shatila,e não com a animação de Ari Folman.

"Valsa com Bashir",assim como outras obras exemplares,nasceu do desespero de seu criador.Desespero transformado em uma obra de arte original,impactante e indispensável.

nota:8,5